Sob o Céu de Foz

Na redescoberta de velhos pontos turísticos, muita satisfação acima de 30º C.

Visitar pela primeira vez lugares que já não são uma novidade, pode ser muito interessante. E sempre pode haver uma nova primeira vez se o lugar for observado com olhos de curiosidade. Mas do que eu estou falando? Esta foi realmente a primeira vez que estive diante das Cataratas do Iguaçu. Apesar de, para mim, elas parecerem velhas conhecidas, jamais havia tido a oportunidade de estar diante de tamanha quantidade de água e exuberância natural. Jamais tive a oportunidade de notar a nossa fragilidade de forma tão real e irrestrita.

Foz do Iguaçu

O que dizer da cidade? Eu não sei. Além do clima extremamente agradável e de acreditar que por ali o verão é a única estação conhecida, a cidade parece uma mistura de campo e cidade grande. Tomando cuidado com o hotel onde se vai hospedar, é tudo muito tranquilo. Não destruirei a reputação de nenhum deles, mas veja bem onde vai colocar o seu corpo cansado após horas de caminhada por trilhas exigentes, passeios de barco e traslados entre a tríplice fronteira. O mínino que se pode querer é um hotel pronto, sem reformas ou construções por fazer, camas macias, banheiros bem estruturados e, uma boa cozinha, com comida de verade saindo dela. O café da manhã pode ser a sua única refeição em um dia de parques em Foz. Pense nisso.

O centro é ótimo para quem tem vontade de sentar, comer e papear. Limpa e movimentada, Foz do Iguaçu acaba se revelando um lugar ótimo para quem não tem muitas pretensões turísticas, mas que não abre mão de comer decentemente e se sentir em casa.

À noite, o centro fica muito divertido, as pessoas ficam na rua até tarde coisa que transpira uma calmaria segura, você não imagina que será assaltado ou abordado de maneira abrupta por ninguém. No nó da triplice fronteira é um dos centrinhos interessantes a se visitar.

O lado argentino

Como o Brasil, a Argentina também tem a sua Foz do Iguaçu. Lá também se come bem e, é possível caminhar por ruas charmosas, de cheiro marcante e tango, como seria de se supor. Puerto Iguazu fica ali, logo depois da aduana. Não é de se esperar, mas os turistas falantes do inglês estão lá às pencas. Nos param para pedir informações, acreditando que somos locais. Interessante.

Lá a melhor descoberta é o sabor das aceitunas. Com qualidade incrível elas fazem juz às recomendações de todos os rapazes do hotel e da van turística, que nos leva para cima e para baixo nas baladas interfronteiríças. Nos cardápios elas estão disponíveis em muitos pratos e marcam a sua presença de maneira suave e inesquecível. Vale a pena passar no empório da rua principal e comprar as conservas para trazer para casa.

Tanto na Iguaçu quanto na Iguazu  é possível alimentar-se de maneira muito prazerosa. O bife de churiço me pareceu uma boa pedida, além das azeitonas nas bruschetas que de italianas só tinham o nome e, do provolone, acompanhado de cerveja Quilmes. Mesmo para nós amantes dos vinhos, espumantes e sucos, esta cerveja é maravilhosa. E infelizmente não encontrada no lado com “Ç”.

Os parques

A palavra de ordem é FILA. Para visitar os parques esteja disposto e feliz da vida, além de apto a gastar uma grana, caso queira pular a etapa interessante de mais de uma hora em pé sob o calor de mais de 30ºC de Foz. Ah, tire um dia para ver as Cataratas e outro para visitar o Parque das Aves, os dois no mesmo dia é impossível fazer.

Com  filas ou não, a organização do parque das Cataratas é impressionante. Assim como a multidão de todos os cantos do mundo, a organização é uma boa amostra do crescimento turístico do país dentre outras áreas. As lojas de souvenir tem uma padronização própria, com bichinhos do parque estampados em camisetas, blusões e chaveiros, além de eles mesmos em pelúcia, tudo com muita qualidade e graça.

Imponentes, os caminhos percorridos de ônibus pelo parque, pouco deixam ver da mata que o rodeia. Porém, quando chegamos aos passeios que nos levam em comboio por trilhas dentro da mata, a vegetação é incrível, aranhas em teias douradas nos fazem pensar na vida animal vivente ali. Em minha visita infelizmente não vi quatis, mas as narrações nos ônibus nos pedem insistentemente para não alimentá-los e tomarmos cuidado com a comida diante deles. Além dos aracnídeos, vi calangos que posam para fotos pacientemente, e claro, prontos para escapar a qualquer  movimento brusco.

O lado paraguaio

No Paraguai não tem cataratas, mas uma enxurrada de compras possíveis, se você tiver dinheiro e saco para fazê-las.

Preços nem tão surpreendentes, mas muita variedade, marcas que consumidores mortais não estão habituados a ver com tamanha disponibilidade e, a confirmação de que Real é moeda forte, tão bem quista quanto o Dolar.

Além dos shoppings, ruas esburacadas e comércio ambulante (estabelecido) proliferam após a Ponte da Amizade. Me fez lembrar muito o centro de São Paulo, mas como se fossem a mesma em realidades paralelas.

Havendo uma próxima vez, irei a um cassino, para sentir a atmosfera. Experiências curiosas, mesmo nos dando a dimensão exata da nossa pequeneza, devem ser vividas.