Dedo na garganta

Chegamos aos 30 dias de janeiro com o Brasil tirando de uma panela grande e funda a escuridão de uma lama que escorre da concha e cai no prato para encobrir a clara e evidente melhoria de um tempo que nem faz tanto tempo assim.

O que aconteceu com a realidade desejada, promissora e prometida? Se transformou em barragem rompida desgraçando, ferindo, matando e tirando o foco de todas as evidências que desmascaram falas e pareceres e decisões, pronunciadas para afrontar as inteligências mais desprevenidas?

O ano mal começou, e estamos comendo desculpas esfarrapadas nas três refeições do dia. Ah não, três refeições era coisa do outro tempo, onde as pessoas estavam sendo tiradas da miséria, a universidade era para todos e a crítica ainda se fazia sonora e pulsante.

A imprensa tradicional cuspiu na máscara que sempre usou e se exibiu nua e no contrário de tudo que se desejava das comunicações. Revela descaradamente a mensagem de uma mentira legalizada por uma intelectualidade retorcida, problemática e preconceituosa, e acrescenta ingredientes que envergonham e deterioram o sabor da gororoba, socada goela abaixo de quem ainda lhe dá ouvidos; aproveita ainda para dar estrutura e volume à farofa de indignidade social, com indecência ideológica e ética com cada comentário.

Mas é lógico que, nos rótulos dos ingredientes, utilizados nessa receita, é agora que as coisas são como deveriam ser. Lambuze-se. E, depois de engolir, você pensa em como digerir.