Gostar “de arte” não tem necessariamente que ver com entender “de arte”, entendeu?

Por Silvia Regina Guimarães |
com fotos e depoimento de Darlene Luzzi

Não racionalize. Deixe rolar.

Para gostar de arte você não precisa saber quando cada movimento aconteceu, o que pretendia este e aquele artista. Para estar diante de uma obra, você não tem “quê”, porque “gostar de arte” não tem necessariamente que ver com o pensamento sobre a arte, mas sobre a provocação que a arte contextualiza.

O artista pode querer muitas coisas com sua obra, mas com certeza,
não é sobre como ele construiu a peça que ele quer conversar com você. A provocação causada pela construção sim, interessa.

Ao nos colocarmos em diálogo com uma obra nos deparamos com uma mensagem que vem, decerto, codificada, esperando ser alcançada, à nossa maneira.

Muito além do primitivo desejo pelo espetáculo das fotografias lançadas nas redes sociais, com caras, bocas e bundas, os ângulos e as proposições trazidas pelo uso de filtros, refinaram o olhar e as percepções dos usuários, sobre si mesmos e os espaços que ocupam.

Pensando nisso e, observando as fotos dos amigos no Instagram, me deparei com os modos de fotografar e um pequeno acervo sobre a Pinacoteca do Estado, e convidei Darlene Luzzi, ex-aluna, publicitária e autora das imagens, para mostrá-las aqui, contribuindo com esse entendimento sobre o impacto que a arte é capaz de causar, sem que seja obrigatório entender da técnica ou da motivação por traz da obra. A ideia é colocar-se à disposição, onde a arte estiver.


“Estar em espaços assim estimula nossa percepção, nossos sentidos. Desde a arte mais rústica a mais tecnológica, existe conteúdo para ver, ouvir, sentir, interagir, para todas as idades, gostos e curiosidades. Tem arte que nos tira da realidade e também tem aquela que nos leva a ver aquilo que não enxergamos nela. Arte pode ser racional ou sentimental, mas vai nos acertar de alguma forma. Pode despertar tristeza, alegria, compaixão, indiferença, estranheza, espanto, repúdio, revolta, confusão, enfim, cada pessoa será tocada de uma maneira muito íntima.

Em 2015, fui a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Estava curiosa para visitar a exposição de Ron Mueck, famosa pelo realismo de suas esculturas. Era a primeira vez que entrava naquele lugar e certamente não seria a última. Aquilo foi algo fora da minha rotina, fora do meu “despertador-ônibus-universidade-trabalho-ônibus-casa.


Na visita, numa ânsia desenfreada por mais, segui explorando o resto das salas da Pinacoteca. Tudo me encantava, desde a arquitetura do prédio, com tijolos e colunas de ferro, até as esculturas e quadros. Um pouco de cada canto do mundo no mesmo lugar.


Mas será que eu saberia dizer as técnicas utilizadas nas pinturas ou a qual movimento cada obra pertencia com aquela experiência? Não. Mas, com a facilidade em encontrar informações no mar da internet, eu uni os dois universos e tirei algumas dúvidas e pude saber um pouco mais sobre as obras. Para mim, a magia em apreciar arte está no que ela causa, é sobre sensações, reações, reflexões, histórias e pessoas.


É uma linguagem além das palavras ou idioma que enriquece e até mesmo transforma. Portanto, se você acha que não entende de arte e não busca conhecê-la por qualquer motivo, desafie-se. Vá a um museu, teatro, concerto, exposição ou qualquer espaço de arte que lhe interesse e se deixe levar pelas sensações. A vida é feita de experiências e sensações e arte propõe isto. Aproveite e arrume uma companhia disposta a tomar um café, para compartilhar percepções.”

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