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Formações musicais acústicas e tecnológicas no Pará

Por Marlise Borges

É necessário lembrar do folclore amazônico (danças e folguedos) para falar de formações musicais acústicas no Pará, pois dança e música estão interligadas, formando um só conjunto das exóticas e particulares manifestações populares da região. Começaremos falando da “Marujada” que é festejada pela irmandade de São Benedito, na cidade de Bragança (PA). O motivo musical deste folclore é o “Retumbão”, que, ao lado do “Xote Bragantino” é executado diversas vezes, durante os festejos, no mês de dezembro.


 


A Marujada é constituída na maioria por mulheres, cabendo-lhes a direção e a organização. Não há número limitado de marujas, nem papéis a desempenhar. Nem uma só palavra é articulada, falada ou cantada como auto ou como argumentação. Não há dramatização de qualquer feito marítimo. A Marujada é caracterizada pela dança, cujo ritmo principal é o retumbão. A organização e a disciplina são exercidas por uma “capitoa” e uma “sub-capitoa”. É a “capitoa” quem escolhe a sua substituta, nomeando a “sub-capitoa”, que somente assumirá o bastão de direção por morte ou renúncia daquela”. Fonte: http://www.tracuateua.web44.net/braga.html

 

O Lundú Marajoara, dança de origem africana de muita sensualidade, é acompanhada pela rabeca, clarinete, reco-reco, ganzá, maracas, banjo e cavaquinho. O Carimbó, ritmo de maior expressão no Pará, foi inicialmente criado pelos índios Tupinambás. Os escravos negros o descobriram e modificaram a sua levada rítmica, transformando sua música em outra variação do batuque africano.

 


Lundú Marajoara: “A dança simboliza um convite que os homens fazem às mulheres “para um encontro de amor sexual”. O “Lundu”, considerado ao lado do “Maxixe “, uma dança altamente sensual, se desenvolve com movimentos ondulares de grande volúpia. No início as mulheres se negam a acompanhar os homens mas, depois de grande insistência, eles terminam conquistando as mulheres, com as quais saem do salão dando a idéia do encontro final”. Fonte: http://www.cdpara.pa.gov.br/lundu.php

 


 

Dança do Carimbó: ” A dança é apresentada em pares. Começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltada para o centro. Quando a música inicia ,os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente os pares se formam, girando continuamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para a frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante”.Fonte: http://www.pinducacarimbo.com.br/hist_carimbo.html

 

 

No município de Cametá e em toda a região do Baixo Tocantins, destacam-se o “Samba de Cacete”, o “Banguê”e o “Siriá”. A música também é uma variação do batuque africano e assim como o Carimbó, utiliza tambores de tamanhos diferentes (agudos e graves), além da flauta, banjo, maracas e o canto (a voz), que é entoado pelos cantadores nativos.

 

Na cidade de Santarém (PA), acontece a festa do “Sairé”, que originariamente era um baile indígena. Com o passar do tempo, a festa foi incorporando características caboclas, com o acréscimo de danças e folguedos. Hoje é realizada no mês de setembro, em Alter-do-Chão (antiga aldeia dos índios Borari) e constitui-se no maior evento folclórico do lugar, cuja temática gira em torno da disputa entre os botos Rosa e Tucuxi. Há apresentações cênicas e musicais, em que os botos resgatam lendas da cultura amazônica.


O Sairé atualmente é festejado no mês de setembro e consiste em um ritual religioso que se repete durante o dia, culminando com a cerimônia da noite – ladainhas e rezas – seguida da parte profana da festa, representada pelos shows artísticos (com apresentações de danças típicas) e pelo confronto dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa”. Fonte: http://www.santaremtur.com.br/br/noticiaseventos/saire-festa-da-religiosidade-e-cultura/20/

 

 

 


A festa dos Bois de Parintins, no Amazonas, não é a única manifestação de “Boi” que existe na Amazônia. No Pará, é também muito expressivo o folclore do “Boi-Bumbá”, que desde a década de 60 é realizado nas ruas, em rituais impressionantes de teatralidade. Há indícios de que as toadas (letra e música) dos Bois, eram duras críticas à ditadura militar nesta época. A partir dos anos 80, o que era folclore passou a ser ‘parafolclore’ e os grupos, então, transformaram o formato do Boi-Bumbá tradicional, no estado.


Boi-Bumbá “Arraial do Pavulagem, grupo musical de Belém do Pará. Tem este nome derivado de arraial (local onde se realizam os festejos, nas festividades dos santos) e de pavulagem, neologismo originário de pavão, que significa o formoso, bonito, e pomposo e que na linguagem popular tem o significado de “o que gosta de aparecer”, ou o fanfarrão”. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arraial_do_Pavulagem

 


Em outro aspecto musical, longe da folclorização, existe uma geração de músicas e músicos paraenses, que se expressam através do “pop”, utilizando temas universais e sonoridades variadas. A Lambada, que nasceu da fusão dos ritmos do Caribe e que se destacou na mídia brasileira na década de 80, misturou os elementos da música acústica com elementos da música eletrônica. Banjo e guitarras, percussão e bateria, flautas, saxofones e teclados conviveram juntos neste período. Mas a Lambada não foi a única a produzir esta concepção musical. A partir daí, o Carimbó e o Boi passaram, também, a ser ‘musicalmente’ executados dessa maneira. Com exceção dos grupos que insistem em manter o padrão tradicional, que deu início a esta música, na Amazônia.



A lambada é um gênero musical surgido no Pará, na década de 1970, tendo como base o carimbó e a guitarrada, influenciada por ritmos como a cumbia e o merengue. O novo nome e a mistura do carimbó com a música metálica e eletrônica do Caribe caiu no gosto popular, conquistou o público e se estendeu, numa primeira fase, até o Nordeste. O grande sucesso, no entanto, só aconteceu após a entrada de empresários franceses no negócio”. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lambada

 

 

Um artigo publicado no jornal “O Liberal”, de Belém do Pará, fala do Brega, antigo nome do “fenômeno” musical paraense, que agora virou Calypso, o “fenômeno” musical brasileiro:

As origens do Brega registram datas e influências variadas e, se consideradas ao pé da letra, remontam à época de ouro da música cubana (décadas de 40 e 50), passam por Elvis Presley e pela afirmação do Rock (e do Iê Iê Iê), assimilam os principais ritmos caribenhos, como o merengue e a cúmbia e se formatam definitivamente em Belém, no início da década de 80, com sonoridade e dança características, vestuário também estilizado e festas movidas a outra adaptação bem paraense: as gigantescas aparelhagens e suas caixas de som no estrilo treme-terra. (Jornal “O Liberal”, 12-03-2006).

 

Mas o que muita gente não sabe, é que o Calypso tem um novo primo, que surgiu depois dele. Chama-se Tecnobrega, e segundo Pedro Alexandre Sanches:

Trata-se de uma das manifestações culturais mais originais surgidas aqui nestes anos 2000, tanto em termos musicais, como do aparato industrial que se formou ao redor, totalmente desconcertante para quem se acostumou a pensar em música nos parâmetros e cifrões impostos pela hoje agonizante indústria fonográfica multinacional. (Revista Fórum, março de 2010).

Em outro texto de Pedro Alexandre Sanches, na revista Carta Capital, número 380, intitulado “A música fora do eixo”, ele afirma que: “o grande mérito do Tecnobrega não diz respeito à qualidade da música, mas à capacidade de ter nascido avesso às gravadoras”. Defensor explícito do mais novo fenômeno, para ele o Tecnobrega é a incorporação da música eletrônica que grassou o mundo e o Brasil afora, nos anos 90, por todo este vasto manancial musical.


Banda Calypso é uma banda
brasileira de calypso, formada em Belém do Pará em 1999 pela cantora Joelma Mendes e pelo guitarrista e produtor Cledivan Almeida Farias, mais conhecido como Chimbinha. No início a divulgação do trabalho só se restringia às regiões Norte e Nordeste do Brasil. A banda hoje desfruta de sucesso no Brasil e começa a firmar sua carreira no exterior com turnês para os Estados Unidos, Europa e Angola“. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Banda_Calypso

 

 

“O Tecnobrega é um gênero musical popular surgido no estado do Pará, no início dos anos 2000. Trata-se de uma fusão da tradicional música brega com a música eletrônica, tendo, portanto, a tecnologia como um elemento fundamental. Deriva de ritmos como carimbó, síriá, lundú e outros gêneros populares como o calypso e guitarradas, incorporando sintetizadores e batidas eletrônicas. O estilo também se destaca por ter se desenvolvido independentemente das grandes gravadoras, criando um mercado com formas alternativas de produção e distribuição”. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnobrega

 

 

 

 

Marlise Borges é jornalista, musicista, arte-educadora, mestre e doutoranda em Comunicação e Semiótica, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP.

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