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Escapatórias: Delícias na vitrine

Gostosuras que regozijam olhos e bocas

por Silvia Regina

   

Sempre penso nos pequenos prazeres que fazem a vida ser mais gentil. A comida, em geral, tem esse poder. Transporta-nos para um local confortável, em nós mesmos, com seus bocados transformados em momentos de carinho, com sabores e aromas abrandando nossas condutas, a partir de possibilidades afáveis ou contundentes, com o paladar.  

Passei em frente algumas vitrines em busca de sensações afáveis, nada que viesse a afrontar o gosto por delícias de comer. E, apesar de me deparar com belezas gostosas salgadas, apimentadas, intensas, crocantes e quebradiças, defini que seria bom o agrado dos doces, cremosos, macios, fofinhos e de sabores conhecidos, porém, ainda assim, surpreendentes.  

Foi assim que redescobri doces que nunca saíram de moda. Maravilhas da doçaria  e da panificação que mantêm o encantamento visual nas vitrines das doçarias mais preparadas para os pequenos presentes que, qualquer um de nós, pode desejar oferecer a si mesmo. A proposta é: olhar ao redor e voltar a provar, no mesmo, novas delícias. Primeiro com olhos, depois com nariz, o tato e o paladar.  

 

Algumas antigas novidades: o prazer pelo simples

  

  Pão de mel: Não ganhavam a minha atenção há tempos. Cúbicos e altos, recheados com doce de leite (não muito doce) e recobertos por uma generosa camada de chocolate decorado com chocolate, o branco no preto ou o preto no branco. Mas, para ser bom de verdade, a presença do mel deve ser marcada pelos aromas antes e depois da mordida.  

  

Lua de mel: Por falar em mel, este pãozinho recheado de creme não tem nada a ver com a coisa. Acredito que tenha esse nome somente por sua forma de lua e por ser gostoso com a de mel deveria ser. (E eu espero que seja, assim como o casamento inteiro, até o fim.) Creme mestre é o que há em termos de trivialidade, porém, preso dentro da massa fofa deste pãozinho, ele se torna uma trivialidade comovente.  

   

         

 Quindim: Lindo, de aparência vitrificada, de amarelo intenso e textura delicadamente pastosa e lisa. Os melhores tem o coco tostadinho no fundo e uma transparência luminosa, ensolarada, com sabor doce profundo e aroma de água de flor de laranjeira.  

    
  
   
 
 
Alfajor:  Pode ser recoberto com glacê, chocolate, chocolate branco, com aroma de café, recheado com doce de leite. Os argentinos parecem uma maravilhoso tipo, mas os chilenos são alcoólicos, úmidos e açucarados. (Gostaria de saber se haveria outras receitas!)  

 

 

Sobre a autora

Silvia Regina de Jesus é doutoranda e mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduada em Comunicação Social com ênfase em publicidade e propaganda e jornalista por opção. Além disso, pertence ao corpo editorial da Revista Nexi (Comunicação e semiótica/ PUC-SP) e é editora de Gostonomia,  escrevendo contos e reflexões sobre gosto: a capacidade de apreensão apreciativa da gente e das coisas. É autora de A sensibilidade inteligível do chocolate: uma análise do fazer estésico apreendido, cultivado e comunicado, dissertação encontrada em: Domínio Público.gov.br.[ http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=167688] / editoria@gostonomia.com.br

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