Pensamentos desgostosos sobre os dias ruins

[ momentos reflexivos] por Silvia Regina

 

Dias terríveis acontecem. Para você. Para mim. Seria maravilhoso podermos dar conta do devir antes de sairmos da cama. E se o dia tivesse a promessa de ser péssimo, poderíamos, descaradamente, virar para o lado e voltar a dormir. E, quem sabe até sonhar com um dia melhor. Claro, à espera de nova oportunidade no dia seguinte.
Do que nos servem as perturbações? Os mal-estares? As situações constrangedoras? Nem de aprendizado elas servem, exceto pela apreensão física, o entendimento mais encarnado, de como é passar por momentos que você preferiria ter morrido a ter vivido.
Dominar o tempo e os acontecimentos, os passos que daremos em direção aos outros numa sucessão de acontecimentos, para o bem e para o mal, é o desejo humano desde o momento em que ficou clara a finitude.
No campo da adivinhação, não avançamos nada. Mas, naqueles que nos fazem desejar os tais poderes divinatórios, nos tornamos peritos. Mas do que serviria saber do futuro, além de antecipar nossas angustias e sofrimentos, tudo por antecipação.
Agosto mês do desgosto. Estava desgostoso o ar quando parei para pensar nestas coisas. Melhor andar com a fé. Quando tudo falha, ela não costuma falhar.

 

 

 Sobre a autora: Silvia Regina de Jesus é doutoranda e mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduada em Comunicação Social com ênfase em publicidade e propaganda e jornalista por opção. Além disso, pertence ao corpo editorial da Revista Nexi (Comunicação e semiótica/ PUC-SP) e é editora de Gostonomia,  escrevendo contos e reflexões sobre gosto: a capacidade de apreensão apreciativa da gente e das coisas. É autora de A sensibilidade inteligível do chocolate: uma análise do fazer estésico apreendido, cultivado e comunicado, dissertação encontrada em: Domínio Público.gov.br|http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=167688| editoria@gostonomia.com.br