Pular para o conteúdo

Hedonismo: Partículas de Uma Nova Ordem

Partículas de uma nova ordem

Uma breve análise semiótica, onde arte, ciência e religião se fundem na net art

Por Marlise Borges

))) Clique para assistir o vídeo e aguarde o carregamento (((
Partículas de Uma Nova Ordem

A primeira impressão que se tem, quando estamos diante das composições plásticas de Piet Cornelis Mondrian é a utilização de formas que se remetem ao cubismo,
estilo desenvolvido por Picasso (1881- 1973) e Braque (1882-1963) no inicio do século XX e que se fundamentou nas observações das esculturas africanas e nas pesquisas de Cézanne (1839-1906), este impressionista
que via na natureza a presença de formas geométricas (como o cilindro, o cone, a esfera) e buscava desenvolver em seus trabalhos o efeito da tridimensionalidade, partindo essencialmente da cor. Já Picasso e Braque partiram para uma nova forma de representação, buscando solução através da fragmentação do objeto, construindo variadas possibilidades de formas simples geradas a partir da linha, disposta em um espaço pictórico plano.

Na opinião de artistas da net art, a reutilização de materiais tornou-se comum na arte do século XX. Para eles, “a arte moderna é um repositório
de exemplos em que o resíduo ganha outro significado, quando reutilizado pelo artista”.
Podemos dizer que o vídeo arte “Partículas de uma Nova Ordem”, nosso objeto de análise semiótica, por se utilizar de uma linguagem de deslocamentos e colagens, está inserido na cultura da remixagem. Nas imagens que vão surgindo, tendo como pano de fundo a tela de Mondrian, percebe-se recriações de textos sonoros e visuais, que se intercalam com o texto original (neste caso, a pintura), preservando sua estrutura básica. O vídeo arte, portanto, é claramente um remix, pois apresenta-se com deslocamentos de recortes, cujos tempos das narrativas (visual, sonora e um rápido instante da verbal) são independentes. Neste vídeo, o autor cria e/ou recria novos textos, novas linguagens.

Na cultura da remixagem os co-participantes e co-autores tem a liberdade de adicionar, reelaborar e co-criar na reedição de contéudos previamente configurados. É uma nova cultura, livre, colaborativa, produzida de muitos para muitos, remixada e transformada em “algo diferente”. Remixar significa “reinventar”, possibilitando uma apropriação que incorpora outras linguagens e permite ao espectador imaginações e novas percepções sobre tal produto cultural e/ou artístico. Nesta apropriação, há um re-aproveitamento e uma re-significação da obra em questão, onde a nova obra sugere novo sentido, resultado do procedimento da co-autoria.

Parte-se então para uma experimentação, uma re-criação e uma nova tradução, expressa nas linguagens visual e sonora. No universo do artista em questão (Mondrian), há uma ousadia em penetrar, no sentido de rastrear seu processo criativo, e até interferir, fazendo releituras e recriações, traduzindo visualmente e sonoramente, sua obra. Nesta tradução, passa-se a atuar dialogicamente com a obra, provocando a aderência através do contato com a matéria realizada em imagem e som. O que parece, é que o artista, co-autor, sente a necessidade de causar pulsação, inserir tudo no fragmento, esquadrilhar o espaço e compor nova imagem, sugerindo sempre uma continuidade. A impressão que se tem, é que o co-autor estabelece, mesmo, comparações das novas imagens produzidas, com as características cubistas. Parece que parte de observações de seu espaço pictórico, quando apresenta ilusões de volumes, pontos, partículas, com partes de objetos mantendo diálogos de complementaridade com outros tantos fragmentos, construindo a imagem numa liberdade de arranjos de partes ligadas a um todo racional ou quem sabe, anti-racional.

Partindo da semiótica de Charles Sanders Peirce

Neste primeiro momento do contato com a obra de arte, no que se refere à visualidade, estamos no universo da primeiridade, pura qualidade de ser e de sentir. Segundo Santaella (2003) : “A qualidade da consciência imediata, sentimento in totum, indivisível, não analisável, inocente e frágil. Estamos, ainda, diante de quali-signos-icônicos, cujas propriedades qualitativas estão proeminentes, dando à obra um aspecto imediato de obra de arte, onde o ícone se faz presente de forma absoluta. Santaella enfatiza que a primeiridade é incapturável e não podemos tocá-la sem estragá-la. De acordo com Peirce (CP 8: 334), o signo em si mesmo (o quali-signo), é da natureza de uma aparência. Neste momento, o signo ainda está funcionando como um signo sem qualquer referência a outra coisa qualquer. O objeto imediato deste signo (a tela, na forma que está representada), evoca e sugere uma profusão de linhas e de cores primárias. As cores e formas desta imagem hipoicônica estão também no interpretante imediato do signo, este potencial que pertence ao signo na sua objetividade. Esta sensação primeira, que provoca no espectador (intérprete) essas qualidades de sentimento, chama-se interpretante emocional. Mas apenas começamos a detectar a semiose que a obra apresenta. O seu primeiro momento, imediato, de pura contemplação.

Num segundo momento da linguagem visual, múltiplos e intensos fragmentos (ou partículas), começam a surgir, emergindo da tela do píntor. Pequenos pontos coloridos em movimento juntam-se aos elementos visuais da obra, que são intensificados por cores primárias e secundárias, resultando numa fusão de estilos que nos remete à arte moderna. Aqui, percebe-se um movimento de reação das partículas. Os pontos coloridos movimentam-se intensamente, e se apresentam como uma ocorrência, um fato, um conflito. Podemos dizer que estamos agora diante de um sin-signo, que segundo Peirce (CP 2: 245), é um signo que é uma coisa, ou evento existente. Temos a impressão que neste momento era preciso reger a profusão de signos que assumiam a forma e a cor. O gesto do co-autor da obra, então, realizou uma seqüência de ações na busca por produzir a relação que ocorre entre a ação representada e aquela que é produzida no ato da representação. A imagem descobre a ação e a plasma, pois, está imersa na arte, esta carregada de visualidade tátil. Outras novas imagens, então, iniciam sua chegada, desencadeando processos inesperados, permitindo a presença de formas maiores e intensamente entrecortadas, apresentando uma sobreposição de signos com movimentos permanentes, pois o espaço ampliou-se para que os elementos criassem suas próprias trajetórias. Dos signos que se apresentam na tela do vídeo, três objetos (aquilo que o signo indica, refere ou representa) ganham destaque e se impõem de maneira clara: a ciência, a arte e a religião.

Estamos, portanto, na secundidade, no caráter representativo do signo, onde os três novos existentes (arte, ciência e religião), passam a ocupar um lugar na obra de arte, conectando-se e reagindo em relação aos signos de primeiridade, que se apresentaram em primeiro lugar. Segundo Santaella (2003), “O existente funciona assim como signo de cada uma e potencialmente de todas as referências a que se aplica…essa propriedade de existir, que dá ao que existe o poder de funcionar como signo, é chamada de sin-signo, onde “sin”quer dizer singular”. Podemos dizer que estamos diante de sin-signos indexicais dicentes, que, segundo Peirce ( CP 2: 257) ´são aqueles signos que ocorrem. Trata-se de uma ocorrência e é interpretado como realmente afetado por seu objeto, que é também uma ocorrência. Os objetos imediatos dos signos arte, ciência e religião são as próprias imagens correspondentes aos signos, na forma em que estão representadas. O objeto dinâmico da arte, representado aqui pela pintura de Mondrian, indica, talvez, o mais puro dos movimentos abstratos, por resumir sua estética apenas a formas geométricas que se utilizam de linhas horizontais e verticais e as cores primárias. O objeto dinâmico da religião, encarnado na figura da Madre Teresa, aponta para a espiritualidade, a religiosidade e o sagrado. Ou quem sabe até, indo mais além, para a compaixão, a humanidade (ou humanismo) e a fé. Já o objeto dinâmico da ciência, enquanto caráter representativo do signo, denota o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais, especialmente obtidas e testadas através de métodos científicos. Santaella (2003), nos diz: Agir, reagir, interagir e fazer, são modos marcantes, concretos e materiais de dizer o mundo, interação dialógica, ao nível da ação, do homem com sua historicidade”.

Ao apresentar a tríade dos conhecimentos: artístico, científico e religioso, o vídeo arte entra na esfera dos símbolos, que irão produzir efeitos nas mentes interpretadoras. Falar em mente interpretadora é falar em Pensamento. E falar em pensamento implica em processos. Segundo Santaella, é mediação interpretativa entre nós e os fenômenos. “É sair, portanto, do segundo, como aquilo que nos impulsiona para o universo do terceiro”. (SANTAELLA, 2003). O sistema a que pertence a ciência, determina, por exemplo, que ela é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos da mesma natureza. O sistema a que pertence a arte, segundo descrição da Wikipédia, dirá que ela é entendida como uma atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte. Já o sistema que fala da linguagem religiosa, dirá que o “sagrado” se instaura graças ao poder do invisível. Segundo Rubem Alves, no livro “O que é religião”, entra-se no mundo do sagrado quando descobre-se que uma transformação se processou, “porque agora a linguagem se refere às coisas invisíveis, coisas para além dos nossos sentidos comuns que, segundo a explicação, somente os olhos da fé podem contemplar”. Trata-se, portanto, dos legi-signos, ou signos de terceiridade, aqueles cuja ação da Lei fará com que o singular se “amolde” à sua generalidade.

Tendo sido analisados o fundamento e os objetos deste audiovisual, passemos para uma análise da interface deste signo para com o interpretante. Marcel, o autor do vídeo arte, é quem explica: “o interpretante de um signo não é um evento pontual e sim uma constante atualização de significados que podem evoluir ao infinito, dependendo da mente interpretadora e do potencial interpretativo do signo. Para Peirce, esse nível potencial de interpretação é chamado de interpretante imediato. No caso desta obra, podemos constatar que toda sua feitura tem como intuito amplificar essa potencialidade, levando a infinitas possibilidades interpretativas”.

Marcel prossegue em sua análise: “O não enquadramento em uma narrativa linear não é sem conseqüências, posta em um evento cíclico de constantes ofertas signicas, usufrui das três matrizes lógicas da linguagem e do pensamento, na tentativa de atualizar significações latentes de possíveis mentes interpretadoras. Notamos que a possibilidade de múltiplas escolhas referenciais são favorecidas, pelo formato da obra. Em um momento, pode-se escolher focar na fusão da matriz sonora com a visual. Em outro momento, auscultar sua própria reverberação signica, em confluência com o embotamento dos signos apresentados, assim elevando bastante esse potencial interpretativo”.

O autor, ou co-autor da obra em questão, explica que, segundo Charles Sanders Peirce, “o interpretante dinâmico é o efeito que o signo efetivamente produz na mente, esse efeito interpretativo pode ter três níveis: o emocional, quando o efeito se efetiva como uma qualidade de sentimento, o energético, quando há uma necessidade de um esforça físico, psicológico, uma ação física ou mental por parte de quem o interpreta. Apesar da característica particular, que cada mente pode alcançar com a análise desta obra, em nossa percepção todos chegamos ao conceito de sagrado. Sentimos que todas as matrizes confluem para gerar uma suspensão do senso de discriminação imediata, e nos convidam para um mergulho de fruição estética. Com característica dominantemente icônica, o vídeo arte busca criar qualidades simples e puras, por isso em todos os níveis do interpretante ele é dominantemente emocional”.

No nível do interpretante energético, diz Marcel, “há um certo esforço exigido para compreensão dos signos apresentados de modo evanescente e de difícil discriminação, entretanto, toda confluência das matrizes postas em um ritmo cíclico regido predominantemente pela matriz sonora, leva o interpretante a uma natural redução do esforço energético”. Para ele, intérpretes que tiverem o conhecimento de física atômica, das vertentes da arte moderna, dos vedas, da liturgia católica, poderão alcançar o nível do interpretante lógico, mas apenas no nível remático, pois ele poderá apenas elencar hipóteses, fazer conjecturas do que a obra quer significar com suas mais diversas sugestões. Ele finaliza sua análise: “nessa estratégia de dificultar a capacidade discriminativa dos índices, o intérprete necessariamente se demora mais no nível qualitativo dos signos. Ao mesmo tempo, as diversas qualidades dos diversos signos se fundem em uma constante transmutação, assim os níveis interpretativos de terceiridade são, de certo modo, suspensos por essa fusão, pois não se identifica limites claros entre os signos e os tornam de difícil classificação. Assim, signos gratificantes emergem e segundo Peirce, estes são os signos que tem como propósitos gerar interpretantes finais, qualidades de sentimento diante do admirável”.

Informações extras sobre o vídeo arte “Partículas de Uma Nova Ordem”

Pesquisa feita por Luiza Spínola

Piet Cornelis Mondrian
Mondrian (1872 – 1944), nasceu de uma família aristocrática holandesa e iniciou seus estudos de artes em 1892. Teve sua obra permeada pela Teosofia, doutrina que sintetiza filosofia, religião e ciência, buscando o conhecimento universal e eterno presente nas religiões, filosofias e ciências humanas. Passando a trilhar um caminho evolutivo pessoal onde encaixava-se a arte, foi morar em Paris em 1912. A partir daí, sua pintura ganha novos procedimentos com relação a cores e formas. A abstração que começou por volta de 1911 caminha progressivamente para a precisão geométrica. Desde então, nasce o Neoplasticismo, muito difundido pela revista “De Still” a partir de 1917. Em 1940, Mondrian mudou-se para Nova Iorque, onde influenciou muitos artistas americanos e, sob a influência do jazz, pintou quadros famosos como “Broadway Boogie-Woogie”, o quadro de onde partiu o vídeo arte de Marcel.

Com um forte embasamento teórico em suas obras – pinturas, construções, esculturas, entre outros – o Neoplasticismo radicalizou e renovou a arte moderna, ao romper e renegar a arte figurativa, promovendo uma nova concepção estética, que amplia a vitalidade da pintura abstrata e cujas origens podem ser traçadas na pintura cubista. Os ecos do modo neoplástico de encarar a arte são sentidos até os dias de hoje em inúmeras áreas. O neoplasticismo, assim como o Jazz, são fenômenos revolucionários ao extremo: simultaneamente destrutivos e construtivos. Eles não eliminam o conteúdo literal da forma, apenas a aprofundam e destroem em benefício de uma nova ordem. Ao romper os limites da “forma como particularidade”, tornam possível a unidade universal. As composições únicas de Mondrian são imediatamente reconhecíveis e já fazem parte do imaginário popular, prova disso está na apropriação que a própria indústria cultural fez de suas imagens. Mondrian tornou-se um ícone muito maior do que seus companheiros no De Still – ícone esse tão grande e impactante que superou até mesmo a fama do próprio movimento.

Arte, Ciência e religião

No vídeo, a obra de arte de Mondrian, que buscava pelo simples, pela forma primeira, essencial, se funde com a ciência molecular, que lida com a mais sutil forma do ser e em muitos momentos se depara com os mistérios da essência do existir. Campbell explica melhor: “ciência é abrir caminho, agora, na direção das dimensões do mistério (…). Chega ao limiar (…), a superfície comum ao que pode ser conhecido e ao que nunca será descoberto, porque é um mistério que transcende todo esforço humano. (Campbell, o Poder do Mito, p. 140).

A ciência é representada no vídeo arte de Marcel, através do grande “Colisor de Hádrons”, o maior acelerador de partículas e o de maior energia existente do mundo. Seu principal objetivo é obter dados sobre colisões de feixes de partículas, tanto de prótons a uma energia de 7 TeV (1,12 microjoules) por partícula, ou núcleos de chumbo a energia de 574 TeV (92,0 microjoules) por núcleo. O laboratório localiza-se em um túnel de 27 km de circunferência, bem como a 175 metros abaixo do nível do solo na fronteira franco-suíça, próximo a Genebra, Suíça.

Além da arte e da ciência, o vídeo traz também a presença de Madre Teresa de Calcutá, talvez a maior missionária do século XX. Não é à toa que recebeu o “Templeton Prize“, em 1973, e o “Nobel da Paz“, em 1979. Foi missionária católica e passou a vida lutando contra os problemas sociais da pobreza, da miséria e da doença. Iniciou a congregação “As Missionárias da caridade”, abandonou todos os bens materiais, ensinou crianças analfabetas a ler, auxiliou os doentes com lepra e alertou o mundo para a necessidade da compaixão, símbolo do amor divino.

Não podemos esquecer a matriz sonora que comparece no vídeo arte de Marcel. O Gayatri Mantra é o mais venerado mantra no Hinduismo. Consiste no prefixo: o bhūr bhuva svaॐभूर्भुवस्वः, uma fórmula tirada do Yajurveda, e o verso 3.62.10 do Rig Veda (que é um exemplo da métrica Gayatri). Porque todos os outros três Vedas contêm muito material reorganizado do Rig Veda, o Gayatri mantra é encontrado em todos os quatro Vedas. O deva invocado neste mantra é Savita, e conseqüentemente o mantra também é chamado de Sāvitrī. Amplamente aclamado na Índia e por hindus, a posição suprema do Gāyatrī Mantra é mais adiante aumentada pela proclamação do Senhor Krishna no seu discurso espiritual, o Bhagavad Gita, que entre os mantras ele é o Gāyatrī. O Gayatri Mantra é proclamado no Gita como a Oração Universal, sem consideração de casta, credo ou sexo. É uma oração com o propósito de proteger qualquer indivíduo, e, quando expressado com imensa devoção e concentração, vai proteger a pessoa. Contudo, uma pronúncia adequada é necessária e espera-se que a pessoa seja um vegetariano rígido. Originalmente a personificação do mantra, a deusa Gayatri é considerada veda mata, a mãe de todos os Vedas e a cônjugue do Deus Brahma, e também a personificação do onipenetrante Parabrahman, a realidade imutável que está por trás de todos os fenômenos.

Matriz Sonora: Três Modos de Ouvir:

Na elaboração fenomenológica das categorias de Peirce, segundo Santaella, em “Matrizes da Linguagem e Pensamento – sonora, visual e verbal”, a linguagem sonora também pertence à primeiridade. Santaella (2001), explica que J.J de Moraes, em seu livro “O que é música”, aponta as maneiras de ouvir e as divide em três grandes níveis: 1- Ouvir emotivamente; 2- Ouvir com o corpo; 3- Ouvir intelectualmente. E enfatiza que há aqui, uma evidente analogia desses três modos, com as categorias de primeiridade, secundidade e terceiridade. Nesta análise semiótica, ao analisar o mantra, partimos para uma classificação da matriz sonora, posta no vídeo, que tem por objeto a audição dos sons, ou da música, voltada para um processo de recepção, cuja fundamentação, explica Santaella, “se encontra nos diferentes níveis do interpretante, formulados por Peirce”. A audição, neste caso, é o próprio interpretante imediato. Os efeitos que esta audição produzirá, ao ser ouvida pelos receptores, é o interpretante dinâmico. E este interpretante dinâmico divide-se em mais três classes: emocional, energético e lógico. Os interpretantes emocional, energético e lógico, por sua vez, entram em correspondência com os três modos de ouvir.

Referências bibliográficas

ALVES, Rubem. O que é Religião. São Paulo, Loyola Edições, 1999.
CAMPBELL, Joseph, com Bill Moyers . O Poder do Mito. Org. por Betty Sue Flowers ;
tradução de Carlos Felipe Moisés. -São Paulo: Palas Athena, 1990.
PEIRCE, Charles Sanders. Collected Papers. Vol II e VIII.
SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da Linguagem e Pensamento: Sonora, Visual e Verbal. São Paulo, editora Iluminuras, 2001.

_________________ O que é Semiótica. São Paulo, editora Brasiliense, 2003.

__________________ Semiótica Aplicada. São Paulo, editora Cengage learning, 2007.

Referência eletrônica

www.wikipedia.org.br

Participou deste artigo: Marcel Reciolli, artista audiovisual paulistano que tem trabalhado recentemente no âmbito da Net art e Vídeo arte. Além de músico e filósofo por formação, cursou uma Pós-graduação concebida por Arlindo Machado, de “Criação de Imagem e Som”, onde teve a oportunidade de estudar com a nova geração de vídeo-artistas, tais como Marcus Bastos, Lucas Bambozzi entre outros. Atualmente, cursa o mestrado em Comunicação e Semiótica, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP.

Sobre a autora: Marlise Borges é jornalista, musicista, arte-educadora e doutoranda em Comunicação e Semiótica, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP.

2 Comments »

  1. Oi ! Eu encontrei o seu Web site pelo Google quando que estava procurarando por um assunto relacionado com o texto de seu Website. Seu Website parece ser interessante. Eu irei favoritar sua url para poder voltar mais tarde e ler outros artigos. Forte abraço!

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: