Temporada de Mandingas

Temporada
  

de Mandingas
  

Muitas expressões de fé no mês de junho
  

Tempo de festas juninas e copa do mundo. Um rastro de fé fica no ar, renovando esperanças por dias mais felizes. E eles virão? Sobre isso ninguém sabe, porque por mais que se tente adivinhar, as respostas nem sempre se confirmam. 

 Pular a fogueira, fazer um ebó, rezar a novena, usar um talismã, comer o pão de Santo Antonio, entornar o santo em um pote cheio d’água, são tantas as mandingas que nem mesmo é possível classifica-las como atos religiosos ou simpáticos. As religiões e as simpatias se misturam.

 Se para arrumar um amor até que a morte os separe é preciso reza braba, no futebol as mandingas são muito mais que uma demonstração de fé. Dominados pelo terror da perda, torcedores fazem de tudo para chamar a boa sorte, se adornam nas cores do time, com pinturas pelo corpo, chapéus e barangandãs, fazem promessas de tirarem a roupa em público, catimbam o oponente, urram, choram e voltam seus olhos aos céus.

 Deus se faz sempre presente, qualquer que seja o intuito. Se esquecem os mandingueiros que todos são iguais perante Seus olhos onipresentes, deixam passar a lei do livre arbítrio, jamais é derrubada por Sua vontade onipotente. Quanta vontade de ser o escolhido na onisciência do Senhor.

 Determinados os objetivos, é importante correr atrás daquilo que se deseja. Se não fizéssemos por nós, quem faria? Afinal, num tempo de desejos egoístas, todos estão correndo atrás do seu, se esquecendo do alheio.

  

Atos mandingueiros detonados pela Copa
 

 


  

Dom Diego Armando Maradona promete tirar a roupa e correr em torno do Obelisco de Buenos Aires se a Argentina levar a Copa.
  


 

  

   

A Pepsi, aproveitando o ensejo, faz a mesma promessa, caso o semideus argentino cumpra a sua parte, e diz que vai vender no país, durante uma semana, suas garrafas sem rótulo, apenas com uma etiqueta dizendo: Se o técnico fica nu, nós também – promessa Pepsi. Uma criação da agência de publicidade BBDO argentina.
 

  

  

  

  Ainda no caminho dos descamisados, Larissa Requielme, modelo paraguaia, promete pintar o corpo desnudo com as cores de seu time no caso dos paraguaios chegarem às semifinais. Mesmo não chegando, a modelo tirou a roupa para não perder a oportunidade.  

 

  

  

  

  

  

Bandeira e postes pintados nas ruas, demonstrações de fé que ficarão provavelmente até a próxima copa.

 

Sobre a autora 

Silvia Regina de Jesus é doutoranda e mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduada em Comunicação Social com ênfase em publicidade e propaganda e jornalista por opção. Além disso, pertence ao corpo editorial da Revista Nexi (Comunicação e semiótica/ PUC-SP) e é editora de Gostonomia,  escrevendo contos e reflexões sobre gosto: a capacidade de apreensão apreciativa da gente e das coisas. É autora de A sensibilidade inteligível do chocolate: uma análise do fazer estésico apreendido, cultivado e comunicado, dissertação encontrada em: Domínio Público.gov.br.[ http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=167688] / editoria@gostonomia.com.br