Hedonismo: diário de viagem

Ao combinar o agito de uma metrópole com a calmaria da vida caiçara, Florianópolis se traduz em uma boa e velha novidade, capaz de transformar paradigmas e remexer os sentidos com visuais exuberantes e ângulos que merecem muitas fotografias

por Silvia Regina
Colaboração: Silvia P. C. de Andrade
e Rosane S. F. Guerin

Deliciosa para fotógrafos amadores, do tipo que não resistem a pores do sol, arco-íris, praias que surgem do verde, mares revoltos, vida cotidiana ou pontes iluminadas, Floripa é uma cidade que diz muito, que faz viver muito, sorrir muito. É um lugar de sensações provocadas e percebidas.

Em setembro de 2009 estive por lá, pela primeira vez. Reforcei uma amizade e fiz uma nova, sem esperar por nada nem tentar provocar situações.

Tomei um avião e saí do meu ponto de referência para um lugar completamente desconhecido. Uma atitude que por si já era estranha a mim, tão presa à rotina, tão rotinizada pela prisão das minhas próprias invencionices.

Hotel, refeições, passeios, tudo no mais perfeito isolamento. Uma porção de estranhezas na ilha que esconde o mar dos visitantes que a desconhecem. Lutei para vê-lo de perto na noite da chegada. Caminhei. Fui interagir com a localidade, fazendo compras num mercadinho que combinava padaria e bar. Não vejo nada parecido em São Paulo desde os idos de 1980 (e alguma coisa!).

Comprei tanta comida. Parecia que eu passaria por lá mais que um final de semana. Comi num restaurante fast food em minha primeira noite. E observei o trânsito na Av. Beira Mar: sem câmera, sem porto, somente para entender o agito das pessoas que voltavam para casa na sexta-feira; as que já haviam terminado o expediente há horas e estavam se exercitando; o mar com o seu som sutil abafado pelo trânsito pesado do horário nobre.

No dia seguinte arrumei um taxista disposto a me fazer conhecer um pouco do lado norte da ilha, por uma quantia fechada. Foi uma dádiva. Ele me fez ver, de dentro, vários cartões postais que eu precisei clicar. Mas, foi na Rua das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, que eu me diverti com a câmera, com a renda de bilro, e com a comilança no Bar do Chico. Foi a primeira vez que eu me deliciei com frutos do mar contando somente com a minha presença.

E comi muito mais do que eu poderia supor aguentar. Uma descoberta dessa viagem é que isso é possível: sorrir ao ver um belo prato de ostras acontece, principalmente quando não tem ninguém para dividir isso com você.

Caminhei mais. Ganhei um tempo para pensar na vida sentindo a brisa da lagoa. Participei da paisagem e não pude criticar o avanço das casas sobre o espelho d’água, porque me pareceu um erro poético.

Vi os barcos no canal, senti o cheiro do peixe fresco e pensei que a vida ali poderia ser simples e prazerosa como o recanto sugeria, mas que não deveria ser bem assim.

Com todas estas sensibilidades ainda em mente, resolvi pedir para duas garotas da ilha compartilharem seus  mais interessantes cartões postais: lugares que elas, nascidas e criadas no local, consideram imprescindíveis para um visitante ávido por velhas novidades.

Clique para ver os postais em outra janela.

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