Tempos interessantes


Ainda que na TV o espetáculo seja o da disseminação das ideias mais estapafúrdias como normais, por gente que pensa, contratada para usar sua capacidade intelectual no contorno da percepção das massas sobre a mais profunda miserabilidade ideológica, aquela que quando não vê saída, tenta o controle reescrevendo a história, tem-se que admitir que  vivemos tempos interessantes.

Ainda que jamais os imaginássemos nessa grotesca ode à estupidez, é possível ver na outra ponta, do lado oposto, uma enorme quantidade de gente pensando e sendo honesta em seus propósitos de fazer o bem, de ser o bem, o melhor que der pra ser; e isso é reconfortante.

Ter gente interessada em crescer, mudar, transformar, progredir, compreendendo que se formos juntos tudo e todos irão melhor, é ter a certeza de que não é o fim.

Certeza? Escrevi e quase apaguei.

Porque parece, mesmo, que não há saída para o disparate destrutivo do progresso, em nome de fazer uma pequena minoria andar sobre escombros com sapatos de seda, esgarçando seu próprio futuro em alguns passos.

Por isso, Gostonomia  observa, na TV, as melhores demonstrações de pensamento crítico e interesse pela evolução; na arte, a qualidade de gente que acredita nessa evolução e se desdobra para dar conta de ser, cada vez melhor; reflete sobre os fatos de uma experiência escolhida para fazer alcançar a construção de momentos de mais sagacidade, deleite e transcendência.

Ter todos temos, ser é outra coisa.

Obrigada por estar aí.

Silvia Regina Guimarães
Editora
gostonomia@gmail.com