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Olímpicas superações: o tempo das desculpas

Durante todo o mês de agosto experimentamos o tom exigente da torcida brasileira. O povo festivo, dinâmico e infeliz, somente quando se esforçava para esquecer que a festa olímpica foi conquistada nos tempos de Lula e de um Brasil que seguia rumos diferentes destes dos tempos atuais, demonstrou seus anseios de poder, até sobre os atletas de esforços individuais; segundo a torcida de exigentes, eles deveriam não somente se superar, mas superar os outros, as expectativas, os sonhos não sonhados, sempre, mais. Essa torcida exigiu um rendimento diante das câmeras, no trato deles com ela.

Quem não conquistou medalha se sentiu na obrigação de se desculpar perante a nação, tamanha a comoção dos meios diante das atitudes dos competidores, que não poderiam se indignar, deveriam manter o tal do fair-play mesmo quando os adversários fossem muito particulares, eles mesmos.

Agora que chegamos a setembro, vemos que o mea-culpa continua e que os cobrados são outros. Na busca pela aceitação de uma torcida que os eleja, os candidatos aparecem a todo momento pedindo desculpa por algum motivo: Marta Suplicy chega à TV pedindo desculpa por seus erros na prefeitura de São Paulo, tentando, numa construção simpática, com um visual “cara lavada”, mostrar que sabe, honestamente,  apesar de ter nascido filha de industrial, o que a população mais carente da cidade precisa; Fernando Haddad pede desculpas por não mostrar seus feitos à frente da prefeitura. Ele conta que preferiu usar a verba de publicidade na continuidade dos grandes avanços da cidade; João Dória, não mais Jr., pede desculpas por ser o melhor, por ser a solução, por ser o mais preparado, por ser forjado no calor das necessidades que fizeram dele um sujeito que trabalha 16 horas por dia para ter o que tem (ou para ser quem é?); Russomano se desculpa por não pedir desculpas, afinal ele é um grande acerto.

Nesta toada de olimpianos em disputa, os para atletas, que mereciam grande atenção na campanha da superação, vão ficando fora do foco. A chama olímpica foi apagada antes que eles começassem a competir. A festa de abertura e encerramento, não foi por eles. Seriam eles menos filhos de Zeus ou uma casta menos interessante no Olímpo?

Para dar conta do que vivemos nos últimos dias, talvez seja necessário reconhecermos que não há desculpas para os rostos cobertos com as máscaras da democracia. Vândalos e cínicos, talvez não tenham o direito de manterem-se impunes quando seus esforços para a manutenção do mesmo impedem a continuidade das mudanças.


Silvia Regina Guimarães
editoria@gostonomia.com.br

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