Indigestas

Rolezinhos da ostentação

um breve pensamento sobre marcas que não representam seus usuários

Crianças acreditando em conceitos que demonstram não ter entendido direito. São pais e filhos tementes a Deus, mas que idolatram marcas como deidades; consumidores vorazes de sinônimos de um estilo de vida que não possuem e que parecem entender apenas superficialmente; vivem para exibir as etiquetas que garantiriam fazê-los parecer com o que ou quem gostariam de ser. Mas, ainda que trajados com jacarezinhos, águias e outros símbolos, são expulsos de suas igrejas, tidos como diferentes por seus iguais. Alguma coisa está fora da ordem, eles compraram o tíquete que os incluiria nesta festa rica e bem vestida, mas não podem entrar. O que será? Eles usam a marca, mas não possuem o estilo? Suas combinações são ultrajantes? Eles não têm a cara dos modelos da última edição de Vogue? Não basta gastar o dinheiro todo de um mês para se parecer com aqueles. Estes usam a marca, mas vão para o grande encontro de transporte público. Num show de vaidades se escondem conceitos imprecisos praticados por todos os envolvidos. Talvez se enganem os que usam um símbolo acreditando que basta estar com ele sobre a pele para ser exatamente aquilo que ele significa.