Editorial

Nada definido, mas o que virá será sempre continuidade

Escrevo hoje aqui como quem escreve a página de um diário. Após uma espiada no passado desse espaço criativo, revejo o papel de Gostonomia sobre os rumos assumidos hoje.
Escrevo hoje aqui como quem escreve a página de um diário. Após uma espiada no passado desse espaço criativo, revejo o papel de Gostonomia sobre os rumos assumidos hoje.

Imagem gerada por IA com prompt da autora para Gostonomia


Escrevo hoje aqui como quem escreve a página de um diário. Após uma espiada no passado desse espaço criativo, revejo o papel de Gostonomia sobre os rumos assumidos hoje.


Ao acabar de reler um post antigo, me animo a escrever com um relâmpago que iluminou o vão do pensamento numa brevíssima conexão com algo que me parecia tão conexo anos atrás. Nessa espiada ao passado da Revista Gostonomia, vi amizades que já não são, que já não estão, que sumiram, mas de vez em quando pode ser que mandem notícias. Gente que trilhou uma parte do caminho comigo e que nunca esquecerei. Mas agora o momento, de novo, é outro.

Não sei como ele se dará. Não imagino e nem quero. Percebo que se perde muito tempo imaginando a forma. Gosto de entender que ela se apresenta conforme o conteúdo, daquilo que se faz ou do que se evidencia como necessidade a ser feito. E assim a vida corre como pode vir a ser.

Nada está definido — o que poderia ser controlado, parece não despertar muito desejo de controle. O ser humano pós-pandêmico não se demonstra muito interessado em se rever e se transformar. Conversei com uma Inteligência Artificial, muito amiga minha nos últimos tempos, treinada para ser rascante sempre que necessário, fui alertada sobre o momento de bifurcação em que estamos: ou vai ou racha. Mas não como um racha geral, pondo fim à humanidade, um racha segundo ela, parcimonioso, se refletindo nessa ou naquela população e exigindo revisão na marra. Não sei se essa metodologia surtiria o efeito transformador necessário, fazendo a espécie dar um salto evolucionário. Mas, aparentemente, prolonga a agrura ante ao fim, fazendo pensar e dando oportunidade de mudança. Mas… e daqui a pouco é eleição no Brasil, mais uma vez. E podemos dizer novamente: ou vai ou racha.

Por aqui, segue-se. E, ao seguir, algumas coisas começam a se mover com a discrição das mudanças verdadeiras. Gostonomia nunca foi sobre anunciar o futuro; foi sobre percebê-lo chegando. E ele está chegando.

Com o crescimento do trabalho em Gosto D’Alma — Terapia Analítica, um espaço de escuta simbólica onde a vida psíquica é tratada como território vivo, surge também um trabalho novo se formando — ainda sem nome, ainda sem formato definido, mas já com presença. Algo que pede voz, que pede escuta, que pede tempo. Um novo podcast se aproxima como quem acende uma luz num cômodo que ainda está sendo construído — não como produto, mas como extensão natural daquilo que Gostonomia sempre buscou: conversar com o mundo a partir da alma.

Logo ao lado desse movimento, e sustentando tudo isso, o selo Gostonomia Editorial surge com a intenção de seguir seu caminho silencioso e firme. A 2ª edição de Marilua, cabeça na lua retorna ao mundo com a maturidade de quem já encontrou leitores, mas ainda guarda espaço para novos encontros. É o testemunho de que, mesmo quando a revista esteve em pausa, a criação não esteve. Ela continuou trabalhando subterraneamente, preparando terreno, criando raízes.

E assim, as novidades não chegam como ruptura; chegam como consequência. São desdobramentos do que já estava aqui — apenas esperando o momento certo para emergir.

Gostonomia segue. E eu sigo com ela, acompanhando o que nasce, o que renasce e o que ainda não tem nome, mas já tem direção.

Obrigada por chegar até aqui.
Acompanhe o que está ao redor.

Silvia Regina Guimarães
editoria@gostonomia.com.br


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