Fruitivas

Um ano depois

Pensamento: um momento depois de um ano de pandemia

por Silvia Regina Guimarães


Um ano depois muita coisa mudou. Um ano depois nada mudou. Tudo se renovou dentro, mas parece apenas se deteriorar fora. Como cidade abandonada no tempo, a realidade recrudesceu e piorou o exterior a mim. E se vingou no interior, me fazendo perceber de forma fria aquilo que precisava mudar.
Frio. O isolamento tem algo de um frio pálido e cinza claro, como manhã de inverno em São Paulo. Faz buscar nos ângulos das salas vazias um novo jeito de ver o mesmo para não enlouquecer. Falo só e com as plantas. Ideia boa a da vida que avança de um vaso a outro, crescendo desordenadamente, se estabelecendo sem controle, respeitando a si mesma. E só a si. Nó na garganta sempre ansiosa em temer o melhor que ainda está por vir, em algum momento. Do que se trata? Não se sabe. Apenas deseja-se, secretamente, entre goles de café e temporadas inteiras,
me colocando em contato com ideias que, graças a um produtor distante, me surpreendem por serem mais daquilo que eu nunca imaginei.


Foto por Paula Schmidt em Pexels.com