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Reverberações de Carnaval

Mesmo depois do Carnaval, exposição continua a desfilar no Museu da Diversidade Sexual até maio

 


Passada a festa, parece que sobra uma sombra colorida. Dias efêmeros de felicidade pulsante na cidade. Em São Paulo, o ritmo cáustico do cotidiano latejante vai sendo retomado, pouco a pouco. Dores nos pés e suor, agora já não são de tanto pular. A multidão se dispersou para seus costumeiros aglomerados que dançam, novamente, a música da rotina.

Com encerramento previsto para o dia 27 de maio, as memórias desses e de outros carnavais continuarão na exposição Será que el_ é?, com curadoria do carnavalesco Sidney França, no Museu da Diversidade Sexual.

O pequeno espaço condensou um pouco do brilho de tanta gente interessante e idolatrada em concursos, escolas, ruas e avenidas. Passarelas, enfim, para todo o teor mundano do samba e de outros ritmos que fazem do Carnaval algo tão religioso no país.

O que merece a menção é o entusiasmo que a ideia de Carnaval consegue construir num espaço tão diminuto, tão escondido. A diversidade sexual e todas as outras liberadas no colorido brilhante do som dos instrumentos, das melodias, das vozes, dos impactos nos peitos para além dos corações e também por causa deles.

O Museu minúsculo alçou um voo bonito em nome de algo grandioso. Merecia mais sandálias de prata, mais Piná, mais Clovis (Bornay), mais das maravilhas da preciosa Elke, carnaval até o último dia; merecia mais espaço e mais investimento para mostrar mais Brasil, diverso até a raiz.

Contudo, a exposição faz o visitante percorrer os caminhos do Carnaval entendendo seus sentidos, colocando as suas escutas de olhos e ouvidos em contato com as texturas da vivacidade propositiva de um vasto compêndio que nos aproxima tanto; o Carnaval é um código, uma linguagem compreendida e reproduzida por todo brasileiro; mesmo pelos que fogem da festa, diversificados festeiros que somos, todos nós.

Será que el_ é? consegue ser uma pequena amostra do que se vive no período. Uma breve contextualização da folia, do folião e da fé depositada nos dias que cada vez mais o brasileiro faz render, mesmo que seja como memória, no comedimento de um museu aconchegante onde todos cabem, por mínimo que seja.

 


Exposição: Será que el_ é?

Com curadoria do carnavalesco Sidney França, a exposição faz um panorama da relação histórica entre a comunidade LGBT e a maior manifestação cultural do Brasil e fica em cartaz até o dia 27 de maio de 2017. A entrada é gratuita.

Museu da Diversidade Sexual
Estação República do Metrô

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