Receitas de Ano novo

Com a chegada de um novo ano,

Gostonomia quis saber de gente que entende

de fazer a vida mais gostosa quais seriam

suas receitas de felicidade para começar

bem mais este ciclo.

E a resposta veio: simplifique!

e aproveite para descobrir

a sua maneira de ser mais

feliz também.

Feliz ano novo!

 

 

 RECEITA DE ANO NOVO

Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris,

ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

Para que o ano de 2013 seja ainda mais feliz desejo uma vida mais offline, valorizar o olho no olho, o abraço apertado, as pequenas belezas do dia a dia e tudo mais que só o mundo real proporciona. Aumentar o contato com a natureza, cuidar melhor da relação com a família e com os amigos queridos. E tentar reconhecer de uma vez por todas que amor e saúde é mais que suficiente para uma vida feliz!
– Mirella Luiggi, cineasta e blogueira de Casa de Firulas


A felicidade pode parecer difícil porque está muito perto. As pessoas costumam não ver ou não querer o que está debaixo do nariz: por exemplo, as roupas que vestimos, o café da manhã, uma cesta de frutas, andanças pelo bairro, o sol reverberando em mercados, casas e gentes. O interesse da maioria se dirige às grandes vitórias, vantagens e conquistas no futuro, quando sob nossos pés transcorre a única possível, diversificada e insubstituível vida concreta, feita de coisas, bichos e pessoas. Aí está o cotidiano criativo de todo o dia, entre a casa e a rua. É preciso ter os cinco sentidos concentrados em cada gesto e objeto para ir descobrindo alegremente as trocas e traduções entre o corpo e a paisagem.
– Amálio Pinheiro, professor e escritor


Viva intensamente e invista naquilo que te faz feliz segundo a voz da sua emoção, porque a razão tem muitas dúvidas, medos e contradições, já a emoção é certa, corajosa e convicta! Vamos acreditar nos nossos sonhos e ser felizes! DANCE TODOS OS DIAS! E esteja sempre rodeado de boas e verdadeiras amizades! Seguir essas três dicas é felicidade garantida para 2013 e por toda a vida!
Kaamilah Mourad, professora e bailarina de dança do ventre


Uma companhia agradável e confortante, uma amizade verdadeira, um amor sincero e leal, um ideal a ser seguido, uma determinação a ser cumprida, a verdade (e nunca, a mentira), ser dono(a) de seus pensamentos e ações e imprimir atitudes benéficas e positivas ao seu entorno. Tudo isso deve ser mais valorizado, não só em 2013, como em toda a nossa existência terrena. E como disse Ricardo Reis, devemos sempre regar as plantas de nosso jardim, amar as nossas rosas e valorizar até as sombras de árvores alheias. Porque “a realidade sempre é MAIS ou MENOS do que nós queremos”. E “SÓ NÓS, somos sempre iguais a NÓS PRÓPRIOS”. E é por isso que, muitas vezes, “suave é viver só”. E “grande e nobre é sempre viver simplesmente”. É importante deixar “a dor nas aras, como ex-voto aos deuses”. E “ver de longe a vida”… e nunca interrogá-la! Porque a resposta está sempre além dos deuses. Mas, serenamente, imitar o Olimpo no coração. E lembrar sempre que “os deuses, são deuses, porque não se pensam”.
– Marlise Borges, jornalista e semioticista