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Triste é viver na solidão[…]

Por Silvia Regina

A música veio à mente sem partir de grandes reflexões. Sofreu e considerou sua culpa. Sorriu um sorriso amarelo, para si mesma, e tentou erguer-se. Jogou-se de costas para cair sentada na cama e ali ficou por mais alguns minutos. Respirou fundo e voltou a chorar, pensando-se desgraçada, desenxabida, amaldiçoada. Respirou fundo novamente e com o diafragma contraído soltou a primeira nota.

Cantou uma, duas, três canções. Todas elas sobre a tristeza do desamor. […] Solidão palavra cravada no coração, resignado e mudo no compasso da desilusão.[…]. Hoje eu to sozinha e não aceito conselho, quero pintar minha boca e meu cabelo de vermelho[…]. Múltiplas canções liberaram por sua voz todo o romantismo exasperado pela dor da perda de algo que ao final de cada letra composta, ficava mais claro: nunca existiu.

Ao levantar-se da cama. Foi ao espelho. Olhou-se nos olhos. Mostrou os dentes sem sorrir nem de si nem para si. Estava vazia e então começou a preencher-se com uma profunda vontade de ir embora.

Arrumou suas malas sem remorso. Encheu duas delas com roupas e quinquilharias que não podiam ser largadas. Somente coisas que dissessem respeito a ela e ninguém mais. Olhou ao redor antes de bater a porta da rua e constatou que nada de seu foi deixado para trás.

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