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Melancólicos não sentem Melancolia

São Paulo – Depressivos e melancólicos em geral não são afetados pelas artimanhas narrativas do diretor Lars Von Trier, em Melancolia (Melancholia – 2011).

Repleto de referências audiovisuais, o filme Melancolia trata das reações de duas irmãs ao saberem que a Terra se chocará com um planeta e será extinta.

Apesar de todos os recursos narrativos e a possibilidade bem explorada do desenvolvimento dos personagens, o filme não consegue alcançar os melancólicos de plantão porque retrata com exatidão os sentimentos que envolvem estas pessoas que fazem crer estarem mais afinadas com a realidade frágil da experiência humana no planeta.

É interessante e raro entrar e sair de uma sessão de cinema sem ser tocado pelo filme de maneira alguma. Não porque o filme seja ruim ou pouco eficaz na exploração do tema, mas porque quando a estória é muito conhecida, vivenciada, experimentado pelo expectador, o interesse e a sensibilização não acontecem.

Para este público são 130 minutos de compreensão sistemática das emoções dos personagens em foco, de constatação sem surpresa da narrativa, não há catarse possível, não há dor nem sensação de perda.

Ao contrário do que pode parecer, Melancolia é um ótimo filme, e deve cumprir um efeito impactante nos corações crentes numa realidade mais colorida. Mas, se você não é assim tão feliz, não se impressione por não se impressionar.

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