TRANSGRESSORAS UNIDAS JAMAIS SERÃO SUBJUGADAS

É na transgressão que as mulheres surgem e se insurgem diante daquilo que lhes parece reservado. Por que aceitar o velho se podemos propor o novo em busca de uma melhoria que serve a mais gente? Gente, antes de seu sexo nativo ou assimilado, é pessoa que merece respeito pelo motivo de existir. Pessoas que são, as mulheres devem caminhar juntas, independentemente de suas classes sociais, credos e cores. Só vai melhorar para uma quando melhorar para a outra. Não há como escapar dessa verdade.


Por Silvia Regina Guimarães

Na semana mais feminista do ano, muitas as reportagens, memórias e festejos em nome de mulheres que não poderiam ser esquecidas por seus feitos notáveis. Feitos que foram contra uma ordem, uma organização machistamente pensada para exercer poder sobre elas que não foram contidas em seu tempo, em seus caminhos previamente planejados.

E os planejamentos são múltiplos. Têm planos para todo tipo de mulher. Entre as classes menos e mais abastadas, brancas e negras de todas as etnias, mestiças de todas as mestiçagens possíveis, elas nascem, ainda hoje, apesar dos avanços que sua luta tem alcançado, fadadas a uma experiência marcada pela imposição das desigualdades que a diferença de uma força bruta estabelece.

Com a causa abraçada por muitos homens, elas ainda hoje precisam entrar no debate ideológico para firmar uma condição mais igual em suas relações, já que a tal força bruta não é meramente estabelecida pelo impacto da violência de um corpo a corpo, mas estruturada também pelas posições políticas, pelas vozes mais audíveis, pelo custeio dos trabalhos executados por seres diferentes dentro de uma mesma categoria de produção.

Há quem já se veja cansado das bandeiras alçadas em nome dessa condição social do feminino. É preciso lembrar aos cansados que a desigualdade ainda se faz presente e, na maioria das vezes nem nos damos conta. Em pleno Século XXI ainda não nos damos conta de uma série de conceitos previamente estabelecidos em nossa sociedade, e isso é grave.

O baixo reconhecimento dos preconceitos impede discussões e reavaliações sobre o que está dado, sobre as experiências de vida, sobre as nuances que fazem dessas experiências fatos em uma ordem mundial que privilegia a força e não o bom senso.

Críticas e diminuição das barreiras são bem-vindas nessa luta pela igualdade de gêneros. Se é verdade que não nascemos mulheres mas nos tornamos, como disse Simone (a de Beauvoir), meninas e mulheres de todos os tipos e procedências socioeconômicas e genéticas precisam se sentir parte de um todo que produza sentido por pertencerem a um jeito de ser, de estar, de condividir.

Lutar juntas, sem muros entre esse tipo ou aquele de mulher, por seus privilégios mais ou menos negados, por exemplo, é algo que precisa ser estabelecido como padrão. A lutas das mulheres ricas é a mesma das pobres, a luta das mulheres brancas é a mesma das negras, a luta vivida pelas evangélicas é a mesma das muçulmanas.

Se as mulheres que se particionam se analisassem, veriam que formam uma grande nação mundialmente disseminada, que poderia se apoiar transgredindo regras, fronteiras e normas culturais; não para subjugar o masculino, (não), mas para tornar o mundo a casa de todo tipo de gente. Essas pessoas que merecem respeito, pelo simples fato de existir.

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